15th June 2020 Noodles 0Comment

Saiu de casa para ir dar uma volta. Um passeio sem destino marcado, apenas andar por aí. Leva consigo a carteira, o telemóvel e o livro que anda a ler, nada mais é preciso. Talvez alguma companhia fosse bom, mas não é essencial; ele está muito confortável consigo próprio. Talvez demasiado, há quem diga.

Há por ali uma esplanada sossegada. Senta-se e aguarda calmamente que o venham atender. À sua volta, algumas pessoas conversam animadamente, falam das suas coisas, do dia-a-dia. Chega a dona do café, cumprimenta-o e pergunta o que vai ser. Um chá de limão e um pão com manteiga, um dos seus lanches favoritos.

Não está uma tarde quente, mas também não está fria, está mesmo no ponto. Pequenos pedaços de azul surgem pelo meio das nuvens brancas, corre uma brisa ligeira. Mais pessoas chegam enquanto outras se levantam para ir embora.

Entretanto chega o chá e o pão com manteiga. Ele agradece e tira os óculos para começar a ler. Pega no livro e lê tranquilamente enquanto come o seu lanche.

Pouco tempo depois ele pousa o livro. Não está com cabeça para ler, está demasiado ansioso. O mais curioso é que não sabe porquê e nem sequer tem qualquer motivo para estar assim.

É apenas uma tarde como qualquer outra, nada de extraordinário e no entanto há este sentimento. Ao pensar bem nisso, ele chega há conclusão que é algo que já existe há bastante tempo, e é uma coisa que tem vindo a crescer. Será que vai crescer de uma forma exponencial até que fica incontrolável? Não parece. Cresceu e ainda está a crescer no entanto há alturas em que diminui. É como um barco a navegar pelas ondas do oceano profundo, sobe e desce lentamente.

E assim é a vida, um sobe e desce constante sem nunca ultrapassar um máximo e um mínimo. É talvez uma certa estabilidade.