Desabafos

Sea of Tranquility

14th September 2020 Noodles 0Comment

Recentemente vi um filme que me deixou a pensar. Mais ainda, deixou-me a sentir. A personagem principal do filme está a passar por algo que é, em muitos aspectos, semelhante a algo que eu sinto.

A solidão intencional.

Estou sozinho, grande parte por opção e outro tanto por circunstâncias da vida. Apesar da minha situação, não me sinto sozinho. Desde que me lembro de ter consciência que me sinto bem com a minha própria companhia. Quando era pequeno, divertia-me imenso sozinho. A minha imaginação era extremamente fértil e qualquer objecto servia para brincar ou criar uma história. Cresci e fiz algumas amizades que ainda hoje perduram. Fazíamos tudo juntos, íamos para todo o lado juntos mas mesmo assim eu era um pouco como que, o solitário do grupo. Ainda sou.

Nunca tive medo de estar ou ficar sozinho. Desde muito pequeno que aprendi a viver comigo próprio, comecei a ser autónomo muito cedo. Sempre que tenho que ir a algum sítio onde tenha que esperar para ser atendido, sento-me calmamente a ler até ser chamado, não fico impaciente. Gosto de fazer coisas sozinho, ir ao cinema, teatro, concertos, bailados, compras, passeios…

No entanto, e é aqui que entra o ponto comum com a personagem do filme, apesar de gostar de estar sozinho, por vezes a solidão tem o seu peso e é difícil de carregar. Não quero festas cheias de gente, não quero jantaradas com grupos enormes embora goste de o fazer ocasionalmente. Sei exactamente o que quero e como o quero.

E sei que está a ser muito difícil encontrar o que quero.

Enfim… um dia de cada vez e amanhã é outro dia.