Silêncio

Hoje estou com vontade de me remeter ao silêncio. Não é bom nem é mau, é o que é.

Sinto coisas que se calhar não devia estar a sentir, mas na verdade sinto-as.

Enquanto escrevo isto o meu gato deita-se ao meu colo e ronrona. Dá-me um sentimento de aconchego e carinho.

Apetece-me mais; acrescentar mais coisas ao silêncio e no entanto não consigo.

Apenas consigo ficar aqui quieto num silêncio tranquilo.

Civismo

Curioso. Num cruzamento em que ninguém dá passagem aos que vêm da esquerda, tu páras e deixas avançar um carro. Imediatamente o que vem atrás de ti faz o mesmo e assim sucessivamente.

Portanto…

… às vezes há coisas que quando pensamos nelas ficamos quase sem pensamentos de sobra porque elas ocupam tanto na nossa cabeça que não há espaço para mais nada.

De vez em quando tenho coisas dessas na cabeça e há ainda outras vezes em que não tenho espaço para mais pensamentos porque tenho a minha cabeça cheia de nada. O que me leva a perguntar:

Afinal, o nada ocupa espaço ou não? Em algumas, se não todas as linguagens de programação, o zero não é igual ao null (nulo). O zero ocupa espaço enquanto algarismo que é, enquanto que o null não ocupa espaço uma vez que é vazio.

Posto isto, podemos encher a cabeça de um grande zero e está fica cheia, no entanto se enchermos a cabeça de nada ou de um vazio, está deveria continuar a ter espaço. Mas não é esse o caso. O próprio acto de não pensar é, em si, pensar. Estamos a pensar em nada ou no conceito de nada, ou mesmo pensar em não pensar em nada.

Paradoxo interessante.

The rain

  • I’ve been held up in the city for a while due to the rain.
  • Oh, I see! So, when the rain stops you’ll leave!
  • I hoped that the rain will never stop.
  • What?
  • If it continues I’ll be able to stay here forever.

Sometime last year.

I was having breakfast when a young lady asks me if she can sit in the table next to me, to which I reply: “of course”.

She seems very shy, her eyes looking down all the time brings out her book and starts reading and taking notes. The book is called “it’s all my fault”.
A couple of minutes later an older gentleman arrives with a sandwich, a glass of water and an orange juice and sits in front of her. Probably her father. She takes a sip of the orange juice and frowns her face. He promptly gets up and brings her two packets of sugar.

During all this, i am reading my book eating my breakfast when at this point i sense the sadness between them. She fetches a heart shaped plastic box filled with all kinds of pills from her purse, takes one pill and washes it down with water.

During all this time they both stay there in silence. I don’t know them or what is going on but i decide to start expanding my energy and in that instant he puts his hand on the table and she holds it. She then looked at me and said “thank you” with tears forming in her eyes.

I nodded with a smile, stood up and left them holding each other’s hand.

This was one of the most strange and yet gratifying experiences i’ve had. My day is made.

Good morning everyone, have a wonderful day.

A procura

Quando tudo encaixa na perfeição há uma certa dificuldade em acreditar que é verdade, há uma certa tendência para nos beliscarmos, não vá isto ser um sonho.

E no entanto é tudo real, não é um sonho, está mesmo a acontecer e é bom… É muito bom. Tanta coisa nova.

Estive a minha vida toda à procura disto; talvez à espera de encontrar este equilíbrio.

Finalmente encontrei o que tanto procurei. Falo de, penso em e faço coisas que nunca antes me tinha atrevido. E entrego-me de corpo e alma sem qualquer atrito.

Equilibrio. O que é?

Cada um terá a sua definição de equilíbrio e provavelmente para muitos a definição será igual ou semelhante. Posso falar daquilo que eu acho que é a definição que os outros têm mas não quero… aliás, acho que não me cabe a mim falar disso. É uma coisa pessoal, de cada um e portanto escrevo sobre a minha definição de equilíbrio.

É de notar que esta definição é presente, no passado era diferente e no futuro poderá mudar novamente. Aprendi ao longo dos anos que muitas coisas que nós assumimos como imutáveis são na verdade muito maleáveis e transmutáveis.

Então? Equilíbrio é para mim o balanço de duas forças. Em algumas circusntâncias poderão ser forças opostas em que nesse caso, creio que terão de ser forças de intensidade igual mas em sentidos opostos de forma a que uma força não consiga puxar mais do que a outra, mantendo assim o equilíbrio. Neste caso acho que o equilíbrio é atingido no centro destas duas forças. Mas há outros tipos de equilíbrio, que não serão tão líneares. um exmplo disto são duas forças que puxam na mesmo sentido mas direcções ligeiramente diferentes. No entanto terão que o fazer sem causar qualquer transtorno ou “desequilíbrio”… gosto mais da expressão em Inglês: “imbalance – a situation in which two things that should be equal or that are normally equal are not”.

Mas deixemos as definições fisíco-matemáticas de lado. O equilíbrio de que falo é mais espiritual e emocional. Será que se pode considerar que uma pessoa que esteja muito feliz como estando equilibrada? Pela definição da palavra, não. Essa pessoa está desequilibrada para o lado da felicidade, sendo o seu oposto uma pessoa que está muito triste… desequilibrada para o lado da tristeza. No entanto, normalmente as pessoas não querem estar tristes, apenas querem estar felizes. Portanto querem estar desequilibradas, para o lado da felicidade. Posto isto, será que é bom estarmos felizes? É. Sabe bem, sentimo-nos bem dispostos, andamos positivos e todas essas coisinhas agradáveis. No entanto estamos desequilibrados.

É por isso que a “felicidade vs tristeza” não são nem podem, ou não devem ser as únicas varáveis a contribuir para o equilibro de uma pessoa. Há outros factores, que também têm o seu devido peso ou força e que contam para a equação do equilíbrio. E daí, todos eles contribuem para se uma pessoa se sente bem ou não, portanto acaba por cair em desquilibrio também. É um desquilibrio positivo, certo, mas não deixa de ser desequilibrio.

Acho que sozinho acabei de deitar por terra todo o meu raciocínio. Sou portanto um desequilibrado. Estou bem, feliz, centrado, focado, protegido, seguro… tudo coisas boas… se medimos o equilíbrio por várias forças opostas que se “anulam”, teríamos que agrupar todas as forças como “boas e más” e ambos os grupos se equalizavam, atingindo um centro equilibrado. Mas não é esse o caso, as forças boas estão muito maiores que as forças más, menos boas, negativas ou o que lhes quisermos chamar. Portanto, aquela coisa de “estarmos no centro” não é propriamente muito agradável. Não é bom, nem é mau, simplesmente é. No entanto se considerarmos que “o centro” é apenas uma das forças “boas” talvez aí nºao contribua para o desequilibrio positivo.

Granda nó que acabei de dar…

Tears everywhere

Ultimamente tenho chorado bastante. Mais do que é habitual. E não há neuras, não há solidão, não há tristeza…

Há sim uma montanha de emoções, sentimentos, e é de tal ordem que provoca o choro. É como se fosse uma barragem que enche demasiado e que a água transborda por cima.

E é bom, é libertador, é aliviante.