3rd May 2020 Noodles 0Comment

E depois há dias assim. Dias em que tudo corre dentro de uma certa normalidade, algo de razoável mesmo; e de repente ao pôr os olhos em coisas antigas, há sentires velhos que voltam a surgir; memórias de sentimentos de há muito tempo atrás. Apercebo-me de coisas que se calhar não tinha consciência, importâncias que provavelmente não dou; Mágoas antigas, razões não compreendidas. Tudo está resolvido, lá atrás, já não incomoda, são apenas feridas cicatrizadas há muito. Sei exactamente onde estão, sinto-as, tal como as articulações que estalam com a mudança de temperatura.

Tenho estado sossegado, com a minha criatividade “on hold”, ou pelo menos assim pensava eu; talvez apenas me faltasse um empurrão, alguma faísca que ateasse a chama. Ando com vontade de voltar a escrever, voltar a compor música. Apetece-me criar, fazer coisas. Só não sei bem por onde começar. A qualquer momento eu começo e sei bem que aí ninguém me para.

Ao som de “Max richter” escrevo o que me vai na alma; Se calhar é isto mesmo, estou novamente a encontrar-me. E assim escrevo algo que pode ser, ou talvez não, ficcão. Ao longo dos anos sempre misturei muito do que sinto com a ficção que escrevo. Nunca me preocupei com quem pudesse ler, não escrevo para audiências, escrevo para mim. Escrever é uma catarse da minha alma, tal como a música e tudo o que envolva a criação de algo.