2nd August 2020 Noodles 0Comment

Ultimamente tenho andado pouco activo na escrita. Não sei bem porquê. Quer dizer, até sei, só não sei se quero escrever sobre isso.

Em abono da verdade, sei exactamente porque razão não tenho escrito muito. São várias as causas.

Uma delas é como me tenho sentido. Não quero entrar por aí. E como tal também não me apetece escrever sobre o que sinto.

Outra é, estar com a criatividade um pouco em baixo. Já houve uma altura em que escrevia pequenas coisas de ficção de uma forma até bastante prolífica, no entanto, recentemente nada disso tem aparecido.

Tenho visto várias vezes em pequenos restaurantes e cafés velhotes sentados na sua mesa a comer. Sozinhos, isolados nos seu próprio mundo. Pergunto-me qual será a sua história. O que os terá levado até àquele ponto.

Não posso deixar de reparar nas similaridades. Enquanto eu os observo na sua vida solitária, também eu estou na minha vida solitária. Também eu estou a almoçar ou a jantar com a companhia do meu livro num pequeno restaurante que se transfotma rapidamente em terreno familiar. O dono e os empregados já me conhecem, sou já um cliente habitual, tal como o velhote solitário sentado na mesa do canto.

Também há outros velhotes, que conversam entre si de uma mesa para a outra. Estes e o da mesa do canto conhecem-sez no entanto ele não participa na conversa.

Serão viúvos? Divorciados? Será este o meu destino?

Se calhar é este o meu destino. Talvez vá passar muitas refeições acompanhado do meu livro e dos meus blocos de notas.

Não sei, não me interessa saber. Quando lá chegar preocupo-me com isso. Para já, continuo a ir tomar as minhas refeições acompanhado dos meus livros. Lendo, escrevendo, comendo, observando, vivendo, sentindo.