Cenas

Enquanto procuro a minha inspiração para compor música nova ou recriar música antiga, ouço algumas das minhas criações. Não consigo encontrar a criatividade para compor nada de novo agora, mas isso não quer dizer que estou sem criatividade. Prova disso é o que estou a escrever. Não tenho propriamente um assunto decidido para escrever, estou simplesmente a escrever à medida que vou pensando.

Isto é uma tarefa difícil; eu penso demasiado rápido para a velocidade a que consigo escrever. No entanto, confesso que me dá uma certa pica ir escrevendo rapidamente. É como estar nas minhas caminhadas, vou decidindo o meu destino à medida que caminho. Vou contemplando o caminho enquanto o percorro, leio o que penso e escrevo e a cada frase que vou completando vou pensando na frase seguinte. Ocasionalmente faço uma pausa, a música atrai a minha atenção, mas rapidamente regresso à escrita.

Já não escrevia assim há muito tempo. Bem sei que já disse isto antes; é a velhice, faz coisas destas; como bom sagitário que sou não gosto simplesmente de contar uma história. Se for só para isso mais vale comprarem um jornal. Não, a história deve ser embelezada. Algumas descrições e pormenores que trazem mais vida e côr à história. Sim, também alguns exageros pelo caminho… hipérboles portanto.

E assim de repente já não me lembro do que ia a dizer. Não faz mal, fica para outra altura.

Curioso como se pode escrever um texto, uma crónica ou algo assim sem dizer quase nada de concreto. Na sua maioria os blogs, livros, crónicas, textos, são sempre sobre um assunto qualquer. Têm sempre um objectivo, um corpo, conteúdo que significa algo; a não ser que seja retórica; aí é que não tem mesmo qualquer significado; prático, pelo menos.

Sempre tive um único objectivo quando escrevo: libertar a minha mente, o meu coração. Deitar tudo cá para fora sem ter qualquer resposta. Err.. quer dizer.. Por vezes até teria um certo gozo em ter respostas ao que escrevo, confesso, mas não faço disso uma questão essencial. A ideia de ter um diário, público, é a de falar com alguém que possa ler mas que não interrompe. É que quando se está numa conversa falada há sempre interrupções. E não são necessariamente más, é apenas isso. Uma conversa, diálogo tem duas partes que transmitem mensagens… e uma das partes vai fazer as suas associações lógicas ao que o outro diz e diz aquilo que está a pensar, seja em resposta ou como novo assunto relacionado com o anterior. Muitas vezes essas associações lógicas não fazem sentido para mais ninguém a não ser para essa pessoa, mas estão lá na mesma. Quando duas pessoas conseguem fazer as mesmas associações ou pelo menos entendê-las logo sem grandes explicações isso é uma coisa maravilhosa. Significa que ambos pensam de forma semelhante, como mesmo tipo de humor, raciocínio e coisas…

É raro duas pessoas assim cruzarem-se numa vida, no entanto acontece. É muito bom quando estamos a conversar com uma pessoa que nos diz algo e a partir daí fazemos uma associação lógica para algo mais …

Um segundo… estou só a abanar o capacete… esta parte da música é awesome…

Voltei… Onde ia?

Ah, certo. Estava a dizer que é muito bom quando no meio de uma conversa com alguém fazemos uma associação lógica para algo completamente diferente a partir de algo que nos é dito e quando contamos isso a essa pessoa ela entende imediatamente o que estamos a dizer sem ser necessária qualquer explicação. Atenção, não confundir isto com aquelas coisas do “amor”, um acaba as frases do outro, etc. Isto não tem nada a ver com isso. Isto é apenas uma ligação entre duas pessoas que pensam de forma semelhante, que tiram conclusões parecidas, brincam com as mesmas coisas.

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