Song To The Siren

Long afloat on shipless oceans
I did all my best to smile
‘Til your singing eyes and fingers
Drew me loving to your isle
And you sang
Sail to me
Sail to me
Let me enfold you
Here I am
Here I am
Waiting to hold you

Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was forced out
Now my foolish boat is leaning
Broken lovelorn on your rocks
For you sing, “Touch me not, touch me not, come back tomorrow
Oh my heart, Oh my heart shies from the sorrow”

Well I’m as puzzled as the newborn child
I’m as riddled as the tide
Should I stand amid the breakers?
Or should I lie with death, my bride?
Hear me sing, “Swim to me, swim to me, let me enfold you
Here I am, here I am, waiting to hold you”

Larry Beckett / Tim Buckley

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Infinity

Consigo olhar à minha volta e ver tudo o que acontece, apercebo-me claramente das coisas e pouco ou nada posso fazer. Projectos que não andam para a frente, passos que são dados para a frente mas parecem ser apenas para o lado. E no entanto no meio disto tudo estou tremendamente calmo; não estou em controlo de quase nada e isso não me está a incomodar nem um pouco. Espero que as coisas aconteçam, toco à campaínhas nas portas que quero abrir e aguardo que atendam do outro lado.

Sentimentos que não estão a crescer e que no entanto também não estão parados; imagino tudo aquilo que sinto como se fosse água no oceano à noite, iluminada por uma lua cheia e gorda. Todos os meus sentimentos são como ondas num movimento constante, fluídos e oscilantes. Sou embalado por eles enquanto olho para o horizonte em antecipação do que poderá vir. Não há espectativa, não espero nada e no entanto espero tudo. Mas sei que não vou ter desilusão, porque mesmo que o que vier não seja bom, faz parte disto tudo. É entendido e aceite sem qualquer resistência.

Já andava para voltar a compôr uma música destas há algum tempo. Procurei na minha criatividade, foram-se formando várias ideias na minha cabeça e sempre sem dar grandes frutos; eram apenas isso. Ideias.

E hoje, sem ter qualquer ideia, comecei a explorar sons, a criar samples e acabou por sair esta “Infinity”. Como sempre, deu-me um prazer imenso compô-la, fazer o arranjo, o ritmo. É uma música para viajar. Fechar os olhos, ouvi-la calmamente e deixares-te ir sem qualquer destino definido. O importante é apreciar a viajem, observar o caminho percorrido. Podes meditar enquanto ouves a música, são cerca de onze minutos e meio, o tempo médio de uma meditação.

Começa por te colocares numa posição confortável. Sentado(a), deitado(a), como preferires. Fecha os olhos e respira calmamente. Foca a tua concentração na respiração, sente o ar a entrar nos teus pulmões e a empurrar o diafragma para baixo à medida que o teu peito se enche. Absorve o ritmo da música, integra-o no processo de respiração consciente mantendo-a calma.

A tua mente poderá tentar fugir para outros lados, começas a pensar noutras coisas, talvez estejas a ouvir outros sons lá fora. Não faz mal, integra tudo no processo da tua respiração. Se te apetecer mexer o corpo ao ritmo da música, bater o pé ou o dedo, não faz mal. Aceita isso, é o teu corpo a reagir. E mais uma vez, integra tudo no processo meditativo da respiração. Não forces um estado meditativo ou de relaxamento, deixa-te simplesmente estar. A meditação é apenas um processo de aceitação, de integração. Aceitando que poderás estar num estado mais nervoso ou ansioso, estás a dar o primeiro passo para sair desse estado. E no meio disto tudo, respira, com calma sem forçar nada. Podes sentir a necessidade de supirar ou mesmo de bocejar, é normal. É sinal que além de estares a oxigenar o teu cérebro, estás a começar a relaxar. Quando deres por isso, estás quase a dormir. Boa, a música embala e ajuda a adormecer.

A música está quase a chegar ao fim e tu deverás estar num estado relaxado mas alerta. Podes abrir os olhos devagar, esperguiçar-te, esticar-te, aquilo que te fizer sentir bem. Tenta não te levantares muito rápido, podes ter uma quebra de tensão.

Music and Feelings

Esta é uma música muito simples, tem apenas meia-dúzia de acordes repetidos de formas variadas e com instrumentos diferentes.

É uma música que mexeu comigo quando a compus e continua a mexer comigo hoje nove anos depois. Já sofreu vários “remasters”, já tentei “melhorá-la” e no entanto não consigo. Sim, consigo fazer com que o som seja mais “cheio”, melhorar a qualidade de audio no entanto não há como melhorar esta música e o efeito que ela tem em mim. Sempre que a ouço fecho os olhos, sinto arrepios percorrerem-me a espinha, descerem pelos meus braços até à ponta dos dedos. Sinto um nó na garganta, lágrimas formam-se nos olhos. A minha respiração fica mais profunda, como se a música respirasse comigo. Sinto uma tempestade a formar-se dentro de mim, um furacão com chuva e relâmpagos. Entrego-me aos elementos e deixo-me voar.

Não sei ainda porque razão esta música tem este efeito em mim. Todas as minhas músicas mexem comigo, todas têm algum tipo de efeito em mim, principalmente porque fui eu que as criei, são parte de mim, no entanto esta música tem algo. Este conjunto de acordes é algo de mágico.

Pure Bliss

No começo, sentas-te calmamente a ver a rebentação das ondas na praia e ouves um sino tocar uma única vez. Tudo começa de uma forma muito delicada e suave. É algo que cresce, vai evoluíndo, brincando com os teus sentidos e ajudando a trazer a respiração para a tua consciência. Sentes-te a ficar cada vez mais leve, como se estivesses a flutuar.
A cada compasso há um elemento novo que aumenta a sua intensidade e tudo isto sem qualquer ansiedade. As sensações percorrem-te naturalmente, sem esforço e não há bom nem mau, não há certo ou errado. Se tiveres vontade de chorar, não lutes contra as lágrimas, se tiveres o desejo de sorrir fá-lo como se fosses de novo uma criança.
Sentes o teu corpo a elevar-se, como se estivesses a voar, as tuas asas a bater, o vento na tua cara. Por uns momentos deixas de bater as asas e sentes o teu corpo a planar pelo céu. Lá em baixo, o chão passa debaixo de ti e tudo te parece tão pequeno.
Começas novamente a bater as asas a voas cada vez mais alto, sempre a subir, a tentar sair da atmosfera a caminho de uma transcendência que te leva a viajar pelo universo. O céu à tua volta começa a escurecer, as estrelas brilham com toda a sua intensidade. Com um ultimo impulso sais da atmosfera e encontras-te na imensidão do espaço. Planetas, estrelas, nébulas, tudo está na ponta dos teus dedos. A viagem agora é tua, o destino ou destinos são teus para escolheres, és livre.
Com a mesma suavidade com que cresceram, os elementos músicais vão atenuando, a música traz-te de volta para a tua consciência devagarinho. O teu corpo continua no mesmo sítio onde começou, começas a sentir a tua respiração novamente, o peso do teu corpo regressa, a tua mente continua tão desperta como antes, relaxada mas atenta.
Ouves novamente uma taça tibetana a tocar.

Música

Não há músicas más, há apenas músicas que podemos não gostar, ou que não nos tocam em lado nenhum. Por outro lado, há músicas que nos fazem sentir coisas, músicas que contam histórias, que nos transportam para outros locais, outros mundos. músicas que nos fazem chorar ou que nos fazem rir, que nos elevam, que nos arrepiam.

Em todas as músicas que componho tenho a intenção de criar um ambiente, transportar a pessoa que ouve, levá-la numa viagem e em muitos casos contar uma história. Seja através de sons, diálogos ou apenas emoções provocadas pela música em si.

Anywhere Out Of The World

We scale the face of reason
To find at least one sign
That could reveal the true dimensions
Of life lest we forget

And maybe it’s easier to withdraw from life
With all of it’s misery and wretched lies
Away from harm

We lay by cool still waters
And gazed into the sun
And like the moth’s great imperfection
Succumbed to her fatal charm

Any maybe it’s me who dreams unrequited love
The victim of fools who watch and stand in line
Away from harm

In our vain pursuit
Of life for one’s own end
Will this crooked path
Ever cease to end?

Várias vezes encontrei conforto nesta música.. Não, se calhar não era conforto. Talvez fosse identificação. Sim, era isso mesmo. Várias vezes ouvi esta música, escutei a sua letra e aquilo que me apetecia era retirar-me da equação complexa que é “viver”. Não eram desejos suicidas, nada disso. Eu já tive pensamentos desses na minha vida e não teve nada a ver com o que está descrito nesta letra. É simplesmente um desejo profundo de transcender deste mundo físico e ser verdadeira e totalmente livre.
Esta música tem uma letra muito tétrica, diz-me quem a escuta a não a sente. No entanto isto não é morbido, é escuro, talvez, mas nada tétrico. São dúvidas existênciais, são perguntas ao universo, não sei o que é mas sinto-me identificado com isto muitas vezes.

Já tive pensamentos suícidas, no entanto nunca os levei em diante, não deixei que se transformassem em desejos ou objectivos; amo demasiado a vida. Há alturas na nossa vida em que a única coisa que nos apetece é mesmo, desaparecer, deixar de interagir com os outros. A interacção social é tantas vezes uma coisa desgastante. Ter que manter a aparência constante de “estar tudo bem”, um sorriso falso para enganar os tolos, o esforço que representa fazer conversa de treta, já para não falar nos sugadores de energia. Se não nos protegermos disso acabamos completamente esgotados.
Lembro-me tantas vezes de ir sair com amigos porque tinha que ser, porque “é fixe ir a eventos sociais”, porque sou considerado um ser anti-social ou até mesmo antipático se não for e se não apresentar o sorriso amarelo. Tantas foram as vezes que eu simplesmente disse, não me interessa o que os outros pensam de mim, não me apetece ir para um jantar com cinquenta pessoas onde tudo é ruído, espaço pessoal é algo que não existe, onde não posso ficar sossegado no meu canto durante mais do que cinco minutos porque vem logo alguém perguntar-me porque é que pareço triste ou porque é estou a ser anti-social. Tudo isso é um esforço enorme para mim.

Lembro-me dos jantares em casa da Rute, todos eles fantásticos. Não havia qualquer esforço, a energia fluía de uns para outros sem haver alguém a absorvê-la toda. Se me apetecesse estar sossegado no meu canto as pessoas não me vinham chatear com isso, apenas perguntavam se eu precisava de algo e deixavam-me estar. São poucos os sítios em que consigo estar assim, sem me cansar. Os quatro dias que passei na Ericeira foram assim, sossegados, sem esgotamento de energia, aliás, muito pelo contrário; foram quatro dias extremamente nutritivos para mim e creio que para todos os presentes.

Tenho estado a alimentar-me há mais ou menos um ano e devagarinho apercebo-me da falta de energia que eu tinha.
Quero mais, agora que despertei o meu apetite energético e emocional, quero mais. E vou tendo. Aos poucos, dando os meus “baby steps” vou-me alimentando.

Broken

No, I am not broken… or maybe I am. This music has been my companion so many times since the first time I’ve heard it. The pure sound of the piano is like magic.

This music stirs up a lot of feelings inside me, sends shivers through my body, goosebumps all over.

I don’t know if I am broken, however I do feel some broken things rattling inside me and it’s okay. I guess it’s an integral part of having lived and loved.

Desert Dreams


(Push play before reading)
E aqui estou eu a caminhar pelo deserto. O sol põe-se lentamente. Sinto a areia quente nos meus pés descalços. Uma leve brisa bate-me no rosto e brinca com o meu cabelo. Daqui a pouco será noite, já se conseguem ver algumas estrelas no céu, que por enquanto ainda está azul misturado com um vermelho rosado junto ao horizonte. Hoje não há lua, será um belo espectáculo de estrelas durante a noite escura.
Encontro o meu local na encosta de uma duna gigante e deito-me na areia macia. Agarro nela com ambas as mãos e sinto-a escorrer por entre os dedos.
O silêncio que me rodeia é acolhedor, calmante. Não sinto qualquer necessidade de estar alerta, em guarda, preocupação constante, estou apenas atento às estrelas. E elas começam a aparecer, enquanto a luz do crepúsculo desaparece e o céu fica escuro. A príncipio são apenas grupos de estrelas, mas rapidamente se consegue ver a via láctea inteira. Estrelas, nébulas, super-novas; um espectáculo de luz incomparável. E é aqui que me sinto pequenino.
Tive duas oportunidades de ver este espectáculo, num deserto molhado; bem no meio do Oceano Atlântico. Em ambas estava a bordo de uma “lata” com cerca de 200 pessoas a bordo, das quais apenas algumas eram pessoas com quem ainda mantenho laços fortes de amizade. Essas pessoas estavam lá para ver e partilhar esses momentos comigo e no entanto eu sentia falta de algo.
Já sabia da falta que sentia há bastante tempo, mas estava a custar-me aceitar isso e entender de onde vinha; entender o que era na sua plenitude, entender o que seria necessário fazer. A resposta reside em mim. E cabe-me a mim abraçar essa resposta e colocá-la em prática. Este fim de semana foi um passo muito importante nessa direcção; a minha armadura rachou e revelou um pedaço de mim. E eu vejo algo em mim que já não via há muito tempo. E sinto-me grato por isso. O universo mostrou-me que aquilo que eu não achava ser possível, afinal é.

Harbourship

As I listen to this music, I write about it; it speaks of a journey somewhere in time and space. The destination is not important, neither is the starting point. What matters is the journey in itself; the tranquility, the scenery. As you listen to the music, close your eyes and try to imagine a journey for your self. Embark on the harbourship and let yourself flow in space and time within your own imagination.

If this music can make you close your eyes and imagine yourself in a voyage then it has succeeded in it’s purpose. And if not, then all is right just the same; there is no wrong. Each one of us has his/her own feelings and emotions and that diversity is what makes us unique. Each and every one of us.