13th October 2019 Noodles 0Comment

Quando de um momento para o outro nos dá aquela “febre” de arrumação e resolvemos começar a dar uma nova organização às nossas “tralhas” velhas; nossas e não só, coisas velhas que herdámos também. Deita-se muita coisa fora, tira-se muito de um sítio para arrumar noutro que agora nos faz mais sentido. Os nossos dedos começam a absorver o pó que cobria algumas destas coisas, apesar de limparmos o pó ocasionalmente estas coisas tendem a acumular muito mais do que pensamos. Comichões e espirros começam logo a aparecer, aquela sensação de não querer agarrar em nada que esteja limpo porque vamos transferir o pó para essas coisas.

No meio de este processo começa a surgir uma nostalgia cá do fundo… Não! Acho que é mais uma melâncolia profunda. Dá uma vontade de nos deixarmos caír de joelhos no chão, baixar os braços e simplesmente desistir.

Isto já não tem nada a ver com a arrumação, já passou para algo completamente diferente e muito mais profundo. A limpeza apenas serviu de “trigger” para isto tudo. De facto ao arrumar a casa estamos mesmo a arrumar as nossas emoções e isto vai bem fundo; principalmente quando estamos num estado de auto-descoberta tal que simplesmente nos permitimos deixar sentir tudo.

Acabei um bom bocado da arrumação e sentei-me a escrever. Melancólico, talvez triste e de imediato o meu gato salta para o meu colo a miar e a dar-me turras no queixo enquanto ronrona. De facto estes gajos sentem o que se passa e o que estamos a sentir…

Mas afinal o que é que se passa comigo? Eu sou independente, tenho tudo o que preciso para viver bem, tenho o meu gato que é uma companhia mais que valiosa, tenho casa, comida e roupa. Não tenho qualquer motivo para me sentir assim, muitos diriam.

Eu tenho plena consciência do que sinto, do que me faz falta. E tenho plena consiência que é muito difícil encontrar o que eu quero, e mais ainda será com o passar do tempo. Não estou a ser fatalista, apenas realista. É o que é… C’est la vie. E a vida vive-se todos os dias.