Dúvidas existenciais

Chegou aquele momento que já esperava. Caiu a noite, sento-me no meu quarto em frente ao computador, a ouvir música e penso em questões existenciais.
Porque é que os amores são sempre tão complicados? Porque razão é que duas pessoas que se amavam, deixam de se amar? Será que a linha que separa o amor do desprezo é assim tão ténue?
Todas elas perguntas sem resposta, talvez procure incansavelmente pelas respostas, mas é inútil, pois sei que nunca as vou encontrar.

Está decidido, vou ficar quedo, no meu canto, ser feliz com aquilo que tenho. Uma sobrinha maravilhosa; sinto quase uma certa paternidade por ela, derreto-me completamente quando brinco com ela, mudo-lhe as fraldas com prazer, dou-lhe de comer com um sorriso nos lábios.
Vou deixar de procurar aquilo que procurei durante tantos anos, o amor que venha até mim, estou cansado de vaguear em busca dele.

Ha, falar é tão fácil… Todos os meus neurónios gargalham largamente com esta decisão. Não consigo ficar quieto, não consigo parar de procurar, não faz parte da minha natureza. Talvez o melhor seja disfarçar; é isso mesmo, vou disfarçar, fingir que não estou á procura do amor, pode ser que ele assim se deixe ser encontrado. Dizem-me que o amor não se procura, que não se encontra, ele encontra-nos a nós. Pois bem, mas como é que eu sei que ele está à minha procura? Como é que se encontra uma coisa se não se procurar por ela? Para todas as respostas há sempre uma pergunta e vice-versa.

Enfim, logo se verá o que o destino me reserva. É de salientar que não acredito no destino. Granda contradição.

Boa noite e até amanhã.

What a mess!!!

Esta seria uma representação gráfica extremamente fiel do meu cérebro no seu estado actual. Uma confusão de ligações neurológicas com um fluxo de ideias inacreditável, memórias que circulam livremente sem qualquer restrição; memórias boas que me acalmam, dessincronizadas com memórias más que me atormentam.

Ao tentar recuperar alguma coerência nos meus pensamentos, alguma lógica, deparo-me com uma tarefa quase Hercúlea. Não, estou a exagerar, estou talvez a ser um lírico. A tarefa não é assim tão difícil, é complicada, trabalhosa, mas não difícil (digo eu). Estranhamente não estou assim tão deprimido; sei que deveria estar, mas não estou e não faço a mínima ideia porquê; essa resposta circula livremente pelos confins da minha mente, mas não se apresenta ao meu consciente. Está misturada com uma miríade de pensamentos.

Enquanto escrevo isto, o meu sub-consciente começa a analisar a minha escrita; nos quase dois anos que passaram desde que comecei a escrever regularmente, descubro que a minha escrita evoluiu tremendamente, não sei se para melhor ou para pior. sinto que estou mais introspectivo, mais filósofo. Sinto que tenho mais facilidade em expôr as minhas ideias, em apresentar os meus argumentos (quando os tenho). Mas uma coisa permanece imutável: A rapidez com que mudo de assunto no meio de um texto, o que é uma das minhas caraterísticas preferidas.
Por agora silencio-me, já escrevi aquilo que o meu sub-consciente queria. Talvez logo à tarde escreva mais, ou talvez à noite, quem sabe.

Até logo.

Um nascer do sol

Sinto-me renascer no meio de mágoas e felicidades passadas. Nada de novo ou se calhar tudo é novo; ainda não o sei.
Parto à descoberta, ou melhor, à redescoberta de mim próprio. Tento relembrar tudo aquilo que já fui, sei que nunca mais serei exactamente igual, no entanto muita coisa em mim esteve cá sempre, um EU próprio que sempre se recusou a ir embora. Um eu que esteve escondido, exilado num canto remoto da minha mente.
Pergunto-me se estou feliz. Não, não estou feliz, nem contente, nem nada que se pareça. Embora esteja em franca recuperação, ainda estou em estado de choque. Há quem me diga que daqui para a frente só pode melhorar, pior é impossível, mas eu não acredito; tenho plena consciência que ainda vou ter imensas recaídas.
Veremos o que o futuro me reserva e depois tiro as minhas conclusões.

Boa noite, até amanhã.