Dicotomias

Estou cansado e no entanto sendo necessário tenho a energia de um furacão à minha disposição.

Sinto-me triste mantendo contudo uma alegria interior que transborda o meu ser.

Dicotomias, estados de duplicidade banhada em antítese.

Isto é tudo muito confuso, não estou a conseguir entender-me. Tenho todos os motivos para me sentir feliz. Estou a resolver-me, a libertar bagagem que carreguei durante muitos anos e que não quero carregar mais. Tenho o amor de pessoas próximas, estou acompanhado.

E sinto-me triste. Será do cansaço?

Song To The Siren

Long afloat on shipless oceans
I did all my best to smile
‘Til your singing eyes and fingers
Drew me loving to your isle
And you sang
Sail to me
Sail to me
Let me enfold you
Here I am
Here I am
Waiting to hold you

Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was forced out
Now my foolish boat is leaning
Broken lovelorn on your rocks
For you sing, “Touch me not, touch me not, come back tomorrow
Oh my heart, Oh my heart shies from the sorrow”

Well I’m as puzzled as the newborn child
I’m as riddled as the tide
Should I stand amid the breakers?
Or should I lie with death, my bride?
Hear me sing, “Swim to me, swim to me, let me enfold you
Here I am, here I am, waiting to hold you”

Larry Beckett / Tim Buckley

http://www.monogatari.info/wp-content/uploads/2019/01/This-Mortal-Coil-Song-To-The-Siren-Official-Video-320-kbps.mp3

Perguntas

Será que algum dia vou ter aquilo que sempre sonhei? Ou será que vou ficar de lado? Destinado a ter que me contentar com o que não é meu, que não fiz…

Temo que a verdade é esta: O relógio não para e está a ficar tarde, se não for já tarde demais para mim.

Sadness

As time goes by, sadness sets in permeating through every fiber of my being in a cloud of silence. Anger goes away with the chilly winter wind, anxiety slowly dissolves into nothing and all that remains is sadness and silence.

It’s very easy for me to just let myself drown in sorrow and remain quiet. D

While dealing only with myself I have only my own demons to fight and everything else is landscape. However, there is little to no growth this way, there’s almost no evolution.

Sometimes all I want is to go to sleep… And remain sleeping through an endless night.

“You’re overreacting” some people say. I confess that I do have a knack for the exaggeration, I like to embellish the stories I tell and yes, sometimes I do increase the intensity of what I say I feel. But this time…

Is this now a case of “Peter cried wolf”? Are my feelings being “downsized” because of this flaw that o have? “Oh, but being a story teller is not a flaw”. It is, when it turns on me and bites me… Hard. It is a bad thing, a flaw, when I try to tell someone about my feelings and it’s received as being just one more of my “story embellishments”.

I am walking a path of evolution, and specially of tending to my wounds. This is a long and difficult path, but nonetheless, I am walking it. I finally chose to go through with it. There’s a lot of pain involved. Pain that has been there for a long, long time. It has remained hidden, no.. not hidden. It has remained tucked away in a corner. Neatly stored by myself in a compartment of my being. I always knew it was there, but never really felt it. I never dared or allowed myself to feel it.

And now…

Now, I’ve opened my Pandora’s box. I took a chance and in a swift and bold move, opened the door and looked inside. And I am feeling pain.

It’s not a physical pain, it’s a pain of the mind, of the heart and it’s overwhelming.

Seeking help is the only option I see, and that is what’s going on.

Conversar

Estou a precisar de falar com alguém. Uma pessoa que me ouça de uma forma o mais imparcial possível.

Tenho muita coisa para deitar cá para fora e não sei para onde me virar.

Hoje vinha no carro a ter uma conversa comigo próprio. Estava mesmo a conversar em voz alta. Eu falava com eu.

Desabafos

Há mais de quinze anos que comecei a escrever todo o tipo de coisas neste blog. Curiosidades, desabafos, crónicas, pequenos contos, tudo aquilo que me apetecia deitar cá para fora. Desde o início que este blog teve este propósito, e assim continuará a ser enquanto eu tiver vontade.

Tenho escrito sobre as minhas neuras, os meus momentos mais alegres… Se calhar, não tanto estes últimos. Não porque sejam poucos mas mais porque quando estamos tristes, é mais fácil escrever. Quando estamos alegres e felizes, simplesmente estamos e nem sequer sabemos bem o que escrever.

Durante a maior parte da minha vida e carreguei dores que sabia existirem sem ter, na verdade, reconhecido que estavam lá de forma a senti-las em toda a sua profundidade. Era como se eu dissesse: “eu sei que estás aí mas não te dou importância”.

De um momento para o outro e com muita ajuda, comecei a sentir e finalmente a reconhecer estas dores. Vejo-as, sei que estão lá, sinto-as, reconheço-as e acima de tudo, assumo a minha responsabilidade por elas.

E dói… Foda-se que isto dói. É como um corte profundo que passou ao lado de todos os nervos e dói que se farta.

Já me doeu o coração antes, mas acho que nunca desta forma. Estou num estado lastimável.

E no entanto, não posso estar assim para ninguém que me seja próximo (excepto para a minha mana). Se eu me “queixo” disto às pessoas de quem gosto e que gostam de mim só recebo respostas do tipo: “sai dessa, a vida anda-se para a frente” ou “pára de te fazeres de vítima” ou mesmo até “deixa de olhar para o teu umbigo”.

E isto são pessoas que gostam de mim e que me dão provas disso. São pessoas que estão a passar pelos seus próprios processos. Não posso simplesmente chegar aqui e largar isto em cima delas.

Vou parar de escrever por agora. Volto mais tarde.